No ano de 1325, subiu ao trono um rei de nome Afonso, que governou longos anos, muito duros e difíceis, subjugados por tempos de muitas fomes, grandes pestes e guerras.

As mudanças climatéricas e as catástrofes naturais levaram a maus anos agrícolas e à escassez de produtos, o que provocou o aumento de preços e gerou muita fome e doenças, atingindo o auge em 1348, com a célebre Peste Negra. Também as guerras com Castela, a ameaça islâmica e a guerra civil com seu filho Pedro, no final do reinado, ajudaram a fomentar esta trilogia dos horrores, que tanto assolou as gentes desta época.

D. Afonso, o infante rebelde, de temperamento obstinado, sobe ao trono com o título de Afonso, o quarto, pela graça de Deus, rei de Portugal e do Algarve. Dirige a sua tenacidade e perspicácia para a governação do reino, reforçando o poder real através de uma intensa ação legislativa e uma série de reformas inovadoras na área da justiça e da administração. Com algum prenúncio, D. Afonso IV vira-se para o mar e, a certa altura, Portugal passa a ser um conciliador de rotas marítimas entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

Apesar de todas as vicissitudes, o Bravo conseguiu transformar o reino num só território, sob uma mesma autoridade, num só povo constituído por vários estratos sociais, numa só língua, numa só tradição. Em resumo, numa só identidade: no reino de Portugal.
D. Afonso IV morre em 1357, após 32 anos de governação, subindo ao trono, de imediato, seu filho D. Pedro I.

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